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Cursos e E-books › 19/07/2017

Livro: O Caçador de si mesmo

Foi por acaso que eu o ouvi já de tardezinha, quando o Sol abria mão da sua luz e Lost saía em direção à montanha, mas ele ainda achou tempo para as suas últimas palavras: “somente o vazio interessa, pois é nele que a vida acontece”.

É no vazio do casulo que a lagarta descansa para se tornar borboleta. É entre as paredes da casa que você habita, seja ela luxuosa ou não, no vazio entre as roupas em que o corpo se aquece e dorme, e é no vazio da aliança que o dedo encontra o sentido e a paz que nasce da união. É curioso como a música também se faz do silêncio, e é graças ao vazio entre as notas que a melodia é possível. O jarro pode ser de prata, de barro ou de ouro, não importa, pois, além do material, é o vazio que dá sentido ao jarro e é no vácuo entre as paredes que se colocam as flores.

Talvez por isso Lost desse tanta importância para a anatomia do oco, às sombras e ao nada. Gostava de olhar a chuva por saber que é entre uma gota e outra que ela não existe. A chuva se faz também do nada; as gotas brincam de subir como fumaça e de cair como chuva.

Os pingos sabem que, se preciso for, ficarão fortes como pedras de granizo, como aqueles que se fortalecem quando caem e se tornam frágeis quando sobem.

 

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