Todos estão certos

TODOS ESTÃO CERTOS

Alguns pacientes queriam uma reflexão sobre o sentido da fofoca e do fofoqueiro e a importância deles no mundo, estavam curiosos sobre os parlapatões e eu não me sentia preparado para tanto, e o faria com medo de também assumir uma postura ridícula de dono da verdade que é tudo aquilo que não sou, pelo contrário, às vezes fico impressionado com o meu desconhecimento e a minha …ignorância sobre uma série de coisas e o que me conforta é a apenas o fato de que todos nós somos ignorantes, só que em assuntos diferentes. Ocorreu-me ponderar que muitas vezes julgamos, condenamos e absolvemos os outros e fazemos isto em nossas rodas de amigos e nas fofocas do dia a dia, até como forma de lazer e diversão e quem sabe até para dar risadas. Isto acontece porque somos arrogantes demais, somos daqueles que precisam se tornar juízes do mundo e se acham acima da verdade e de sua condição de meros mortais imperfeitos. Para dizermos que uma pessoa é normal ou anormal, precisaríamos ser melhores do que ela e se fôssemos assim tão superiores, para começar não aceitaríamos esta condição de comentaristas da vida alheia e de parlapatões. Estamos todos em busca da verdade, e no entanto, graças a Deus não a encontramos e nem a encontraremos porque cada um de nós só pode ter acesso à sua própria verdade e é maravilhoso que seja assim! Graças a Deus somos pequenos demais e quando nos damos conta desta insignificância, nos protegemos de nós mesmos e evitamos bobagens, talvez optando pelo sábio amparo do silêncio ficamos de boca fechada. Todos somos infelizmente meio “psicólogos, juízes e médicos” e de médico, juiz e louco todo mundo tem um pouco. Às vezes precisamos subir a escada do nosso ego e pode ser que estejamos certos sendo assim também, mas julgar os outros é uma forma de sairmos da nossa suposta inferioridade, uma inferioridade que infelizmente nos impomos, e de nos colocarmos acima dos outros em uma posição “one up” ou de superioridade que também inventamos. Todas as pessoas do mundo estão certas sendo aquilo que elas são. Quando tentam ser “os outros”, elas erram porque os outros já existem e já são aquilo que são. Não existe um padrão de certo ou errado. Existe moda, mas ela também é transitória! Cada um é livre e sabe a dor e a delicia de ser o que é e somente a ela isto interessa. Todos estão certos sendo aquilo que são, e inclusive os juízes, os fofoqueiros e os julgadores estão certos, embora isto, de fato, não ajude e não melhore em nada as pessoas e o mundo. Assim, se um sábio pudesse dar uma recomendação provavelmente seria para que continuemos assim, exatamente assim, para que não mudemos nada, até que no fundo do coração algo em nós nos incomode e espontaneamente nos abriremos para a busca de novos caminhos e de nossa transformação, até lá seguiremos ignorando até o que ignoramos.

José Carlos Vitor Gomes, Psic.

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