O assassinato mental

Já faz algum tempo que eu me pergunto por que a educação e os serviços sociais não existem nos países injustos, onde os poderosos rapinam, onde o homem é o lobo de si mesmo e onde o povo elege os seus próprios carcereiros e abandonadores.

Na verdade, nenhuma sociedade gosta de pessoas inteligentes, porque vão contra todos os seus propósitos e fundamentos. As pessoas sábias dão trabalho demais e são pouco interessantes além de serem competitivas.

Se as pessoas fossem espertas, elas não poderiam ser exploradas, sendo inteligentes não seriam manipuladas, não poderiam viver mecanicamente, as suas mentes não poderiam ser colonizadas e nem poderiam viver como vivem os servos e os robôs.

Inteligentes e bem informados, eles buscariam um lugar ao sol e lutariam por suas individualidades, não seriam atores da própria rebelião para a salvação de si mesmas. Os sábios adoram viver em liberdade e ela está sempre carregada de sabedoria.

Nenhuma sociedade deseja que ninguém seja de fato livre, independentemente da sua ideologia; seja é de esquerda ou de direita, comunista ou capitalista, anarquista, facista ou de qualquer religião.

Nenhuma sociedade de nenhuma religião, seja ela cristã, muçulmana, hinduísta ou judia, deseja a salvação dos seus seguidores, porque ser salvo implicaria em ser livre e seguir o próprio caminho e desfalcar o reino do opressor.

No momento em que começam a seguir o próprio caminho e usarem da própria inteligência, eles se tornam perigosos, intolerantes contra os poderosos, perigosos para o sistema, perigosos para todos aqueles que desejam controlar mentes e massas, perigosos para os eruditos, perigosos para a ética da submissão que é serva da opressão, que envenena mentes e almas.

Um povo instruído é perigoso para a igreja e para as religiões, para a sociedade que busca regular o seu jeito de pensar, é perigoso para o estado e para as nações. Na verdade, o sábio é naturalmente um gladiador, alguém que não se vende para nenhum interesse e a sua vida não pertence a ninguém a não ser si mesmo. Não se coloca a serviço de nada a não ser dos seus próprios sonhos e não consegue ser escravo de nada.

Na verdade, ele é um visionário, alguém que preferia morrer do que ser escravo de quaisquer interesses. Talvez seja por isto que a educação não interessa a ninguém, porque um povo educado derruba governos totalitários e destitui corruptos e opressores. Um povo sábio é o governador de si mesmo, sabe andar com as próprias pernas e não desconhece que um povo somente é pastoreado se tem um QI de ovelha ou inteligência de ameba.

Neste sentido, compreendemos o por que tanto descaso com a educação, porque, de fato, ela não interessa a nenhum governo que, ao estimular o saber, criaria rebeldes sob medida, plasmando a sua oposição e os seus opositores.

José Carlos Vitor Gomes,
psicólogo.

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