Meu pai, meu primeiro coach

MEU PAI; MEU PRIMEIRO COACH

(Mestre, professor e guia)

(Publicado no Jornal Tribuna das Águas 09/08/2014)

Estamos na véspera do dia dos pais e isto nos leva a esclarecer neste dia que; ter filho não necessariamente faz de você um pai e não significa que você é pai.

Nesses dias importantes para o comercio, com certeza, muitos ganharão presentes do dia dos pais sem serem pais, e sem serem o presente do dia para os seus filhos.

Então, a velha pergunta que se faz é “o que é realmente ser pai?”

Ser pai, segundos os especialistas, é ser capaz de fazer “paternagem”. É ser capaz de cuidar do ser que você gerou. É proteger. É ajudar a vida inteira. É estar sempre presente. É estender as mãos e ser capaz de ser amigo e de conversar sem perder a sua força e o seu poder. Ser pai é ser forte, é ser amigo e ser capaz de ser bom sem ser “banana”.

O bom pai oferece segurança, conforto emocional, educacional e financeiro etc. O bom pai cuida da educação, sabe com quem seus filhos andam, conhece os amigos dos seus filhos, especialmente até a adolescência. O bom pai tenta ser o amigo dos amigos dos seus filhos. O bom pai não permite que seus filhos durmam fora ou cheguem em casa somente no dia seguinte, sem se sentirem na obrigação de dizer com quem andavam e por onde andavam. O bom pai não dá sossego para o seu filho até saber onde eles estão e se certificam sobre isto sempre.

Ser bom pai, é ser chato!

O mundo de hoje não é seguro o suficiente para que você libere completamente os seus filhos. Ninguém está seguro em lugar nenhum. Nas ruas da cidade após a meia noite, não acontecem quase nada que possa ajudar ou fazer bem aos nossos filhos. Mais do que isto, embora os jovens não concordem, eles são crianças e não estão prontos ainda para se defenderem dos perigos do mundo, da vida e das ruas.

Ser pai é uma missão para qual estamos sempre despreparados.
É uma área onde todos erram e se perdem. Não existem cursos preparatórios para sermos pais. Nada nos prepara para sermos perfeitos.

Por isto mesmo, temos que ter a humildade de admitir que na arte de sermos pais, estaremos sempre despreparados. Não sabemos sê-lo! É por isto que precisamos ser chatos e errarmos talvez mais por excesso do que por falta.

Ser pai é ser chato!

É gostar sem ser amiguinho, porque isto não nos ajudaria e eliminaria o nosso incômodo papel de pai. Ser pai é ser duro sem perder a ternura e o amor. Alias, sermos pais é sermos firmes, chatos, quase insuportáveis! Porque diferentemente da mãe, que precisa dar colo e fazer “maternagem”, como dizem os especialistas, ser pai é ser a lei, é colocar limites, é ser autoridade e ser coach, é ser técnico e mentor como faz um técnico de futebol que quase sempre erra e perde.

Tudo aquilo que os nossos filhos são; tudo aquilo em que eles se tornam é fruto de um treinamento invisível que fizemos com eles. Quando eles usam drogas, eles foram preparados por nós para se tornarem aquilo que não impedimos que eles fossem.

Em tudo que fizeram de errado foram treinados por nós, treinados para serem errados e para não darem certo e, então, o melhor presente para os pais nesse dia é o perdão. Perdão porque eles sempre erram.

Perdão porque não fomos melhores! Perdão porque não conseguimos ser perfeitos e erramos não conseguindo impedir que vocês, os nossos filhos errassem… Erramos… Perdão porque erramos irremediavelmente, e erramos a ponto de termos hoje o mundo que temos.

Finalmente, temos a afirmar que “o presente” não reconhece nada, pois quase nada poderia retribuir a sua dedicação, e depois de muitos anos quando caminhamos para o fim, os filhos mais reconhecidos podem nos perceber na essência, como talvez na letra de uma música raiz que nos enxerga como somos, e somente isto bastaria como reconhecimento pelo tempo dedicado, pelo que fomos e fizemos.

Veja isto na poesia musical de Craveiro e Cravinho, uma dupla caipira “destas que os nossos velhos gostam”, na música conhecida como Cadeira de Balanço, que foi gravada e regravada tantas e tantas vezes em tantas vozes:

Na cadeira de balanço
Vi meu pai se balançando,
Eu sabia direitinho
O que ele estava pensando.

De uma sala escondida
Seu rosto fiquei olhando,
Comparei com uma bandeira
Que o tempo vai arreando,
Bandeira feita de lida
No velho mastro da vida
Solitária tremulando.

Conforme a cadeira ia
Ia pra traz depois voltava,
Nos braços frios de madeira
Os seus braços descansavam.

Ali o filme do tempo
Na minha mente passava,
Senti uma gota de pranto
Que no meu rosto rolava,
Percebi naquela hora
Que o mocinho de outrora
Na cadeira cochilava.

Bandeira feita do tempo
Que o próprio tempo bordou,
Cada ponto de tristeza
O seu rosto registrou,
É um marco de saudade
Que no coração ficou.

Com o sentido desta melodia e a força de uma simples moda de viola, “desta que os velhos gostam”, aproveitemos o momento para deixar um sinal de respeito e do reconhecimento oportuno e talvez, tardio, porém necessário para os nossos pais. O meu pai já não está mais comigo! Mas para você que talvez o tenha, não perca o seu tempo! Dê-lhe o seu maior presente maior, a sua presença, e o seu abraço de reconhecimento.

José Carlos Vitor Gomes, Psic.
WWW.sitedopsicologo.com.br
(19) 99191-5685

http://www.vagalume.com.br/craveiro-e-cravinho/cadeira-de-balanco.html

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