Histórias do diabo

- A construção da cultura estupradora -

Em tempos remotos, quando Satã ainda lidava com as velhas bruxas, todos sabiam com quais ferramentas ele trabalhava, que elas gostavam de passeios noturnos, de voar pelos ares nas noites enluaradas montadas em suas vassouras, além de fazerem outras “coisinhas mais”, tão horrendas que mal conseguimos imaginar.

Há quem diga que elas costumavam fazer visitas ao Diabo, em suas perambulações trevosas; mas seja como for, é provável que o Diabo tenha se mudado com o tempo e agora se exiba como os pavões, vestidos de beleza, e se recubra com o charme das mais formosas mulheres. Afinal, esses disfarces nunca falharam!

Ademais, quem pensaria que uma bela dama se rebaixasse a condição de mera máscara do Diabo para ser usada nos bailes do inferno, que uma linda face, uma silhueta divina e um jeito celestial, pudesse gestar o mal em sua própria alma e não fosse nada além de um mero instrumento do diabo?

O diabo também contou, que mesmo as sábias mulheres não gostam de serem "santas" e nem de serem tratadas como tal. Que nesses tempos libertinos, de tantos bailes e tantas “fiestas”; o que o lobo mau masculino e bobo talvez nem imaginasse é que, talvez, a Chapeuzinho Vermelho talvez fosse ao bosque somente para se encontrar com ele!

Não sei ao certo se a ousadia valeu a pena, e espero que os apaixonados, que os caçadores de aventuras, de beldades e de emoções mais fortes prestem atenção, pois, se lhes sair na rifa o Diabo; não se queixem da sorte! O perigo ronda as almas. O mundo está crivado de fantasmas, e assim como não há rosas sem espinhos, não há paixões sem o diabo.

Quanto às velhas bruxas e os fantasmas que se ocultam nas mais belas formas físicas, eu quase ouço o Diabo nelas exclamarem: - Que Deus nos protejam! Que toda beleza seja cultuada, mas seria melhor tatuarem uma cruz na testa, ou talvez pintar um crucifixo na soleira da porta de cada ser apaixonado que se perde na noite selvagem das aventuras.

(Texto do meu próximo livro)

José Carlos Vitor Gomes, Psic.
(19) 99191-5685

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