Como Educar Meninos

- O sentido do trabalho -

O mundo está cada vez mais complexo. O mar de informações e as notícias influenciam na construção da vida e de opções. Nesses tempos em que falamos da diminuição de maioridade penal num esforço para a responsabilização cada vez mais precoce das pessoas, paradoxalmente há uma espécie de idiotização do jovem que se prendem cada vez mais aos seus responsáveis devido à crescente falta de oportunidades para a vida produtiva.

Os jovens estão cada vez mais dependentes dos seus pais e responsáveis devido à falta de empregos. Para os acomodados esta condição é suportada mais facilmente e para os mais inteligentes, isto é um elemento gerador de revoltas, além de ser um fator de adoecimento. A tecnologia com os celulares, os tablets, os computadores e as redes sociais roubam o tempo e os afastam da vida saudável e construtiva.

Ao mesmo tempo que se pensa na diminuição da maioridade penal, a adolescência e a dependência em relação aos familiares se estende cada vez mais na contramão do crescimento, numa sociedade onde um grande percentual somente consegue empregos após os trinta anos.

As oportunidades são raras e as chances para a perdição no ócio e no vazio existencial estão cada vez maiores e não raramente, esses limites revoltam e inutilizam a juventude e a adoece, facilitando a morte, a drogadição e a criminalização.

Ao contrário do que acontecia antes quando éramos estimulados a trabalhar cada vez mais cedo, hoje é praticamente “proibido trabalhar”, mas isto não é colocado com a mesma ênfase do que, por exemplo, não “usar drogas”.
Ninguém diz com a mesma clareza; é “proibido roubar” ou “é proibido ser infeliz” ou é proibido beber. Houve um tempo em que era motivo de orgulho nos levantarmos cedo e acompanharmos os nossos pais para o trabalho, ir para o serviço militar, sermos guardas-mirins, (lembram-se?) estudar à noite e trabalhar durante o dia e isto orgulhava e dava sentido à vida.

A educação do menino é basicamente a educação para o trabalho e trabalhar - em si mesmo - é um fator educativo para o menino. O trabalho é uma terapia ocupacional e pode ser um elemento de salvação da vida especialmente do menino, mas também de todas as pessoas em faze de crescimento.

Assim, a arte educar meninos passa necessariamente pela construção de uma vida produtiva e pela necessidade do trabalho. Evidentemente que não devemos depender do trabalho deles para a manutenção si mesmos ou da casa, é bom que eles trabalhem porque a vida deles se constrói com o trabalho.

Tenho cada vez mais atendido jovens que fizeram opção por profissões semelhantes às dos seus pais. Os “melhores pais”, levam seus filhos para o trabalho, estimulam a participação dos mesmos em seus afazeres e estes frequentemente se orgulham e sentem prazer em trabalhar e ganham sentido para a vida.

Experimentem levar seus filhos para o trabalho e a colocá-los o mais cedo possível em contato com aquilo que fazem profissionalmente para viver. Saiamos da vida teórica! Ajudemos os nossos filhos à pôr a mão na massa e eles aprenderão o sentido que o trabalho confere às nossas vidas.

No fundo eles já fazem disto quando brincam. Brincar para a criança “não é brincar”. Brinca é coisa séria. É ensaiar como viver a realidade e eles fazem isto porque a alma pede que eles se defendam aprendendo a viver e a produzir.

É melhor que eles produzam assim do que saiam por aí fazendo outras coisas, gastando talvez a mesma energia em coisas que não edificam. Afinal, qual é a diferença entre digitar um texto no computador para aprender a lidar com o teclado e passar a noite na internet “digitando” sabe-se lá o quê?

O excesso de proteção pode expor a criança, o adolescente e o jovem ao ócio, impedindo que eles amadureçam e aprendam coisas essenciais sobre a vida, aprendam a cuidar de si mesmos e fiquem prontos o quanto antes para a vida, e isto pode ser para eles algo divertido e pleno de sentido.

As crianças adoram imitar os adultos que elas gostam e admiram e isto que chamamos de trabalho, eles podem simplesmente chamar de “brincar”. Pensemos sobre isto!

José Carlos Vitor Gomes, Psic.
Tel. (19) 99191-5685

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