A prece, a comunicação e a cura

Senti-me presenteado pelos professores de estudos mediúnicos do 2º ano do CEAK, com aulas esclarecedoras sobre a prece, os seus efeitos sobre as pessoas e sobre o mundo. Motivado por eles, resolvi estender os meus estudos, agora associando às impressões sobre algumas abordagens filosóficas e psicológicas mais recentes, contribuindo com informações sobre os impactos da comunicação extrassensorial na cura, comparando à teoria dos campos mórficos, as ressonâncias mórficas e as constelações familiares.

Reflito sobre alguns aspectos das novas telepatias, sobre Gerald Epstein e os médicos do Hospital Monte Sinai, NY e os vários estudos sobre a cura, inclusive do câncer, através da prece e das visualizações, bem com as comunicações ideomotoras criadas por Milton Erickson estas últimas usando respostas corporais às perguntas espirituais como recursos interativos para algumas psicoterapias, algo do tipo; “Se você está aí, por favor dê um sinal” e uma parte do corpo subitamente se mexe.

Estou na verdade, apenas mencionando de passagem alguns detalhes, pois seria impossível mergulhar fundo num modesto artigo que apenas tateia o vasto universo das comunicações espirituais e das relações com o mundo transcendental.

Eu deveria começar pedindo desculpas por supor, ainda que de longe eu estaria contribuindo com meus professores. Não é verdade! O presente estudo eu o faço para mim mesmo, na tentativa de superar alguns dos meus limites pessoais nas reflexões que tenho feito, e está além das minhas pretensões contribuir trazendo-lhes informações que já possuem.

Prece em hebraico significa “tefilá” que é “prece” ou “oração” e que significa; agradecer, louvar, implorar, apelar e suplicar em nossas interações com Deus. Para os hebreus, prece significava também uma espécie de “escada” que os levaria à Deus, e neste sentido creio que não poderiam existir religiões sem as preces e que nada poderia acontecer sem as orações.

Assim, teologicamente o conceito de “prece” ou de “oração” e mais recentemente, os conceitos de “visualização” ou de “mindfulness” segundo Chopra, são coisas que se confundem com a própria “religião” que é classicamente definida como “religare” que em Latim, apresenta a religião como um fio, um canal de ligação entre o homem e Deus e o mundo espiritual, portanto, não existiria religião sem as preces, que são a própria reconexão com Deus.

Por oramos rezamos? Quando? Como? Por que a prece funciona?

Do alto da Sua benevolência, o Pai sugere que diante da nossa solidão existencial, que nos curemos desta “saudade de Deus”, da falta de alguém de quem fugimos, quando gostaríamos de nos aproximarmos como filhos pródigos, perdidos e sós e que desejam voltar para a casa do Pai. Ele é esta voz caridosa que insiste em nos lembrar que “Eu estarei convosco todos os dias até à consumação do tempo” Mateus 28:20, ou “Buscai o Senhor enquanto podeis achá-lo, enquanto Ele está no meio de nós." Isaías 55:6

Em vários momentos da história sagrada, Deus nos teria aconselhado para que, “se um dia nos sentíssemos sós”, nos aproximássemos e aproveitássemos do seu colo espiritual generoso, e isto pode ser feito através das nossas orações, que é a concreção da própria fé que é o caminho real para nos reaproximarmos do Pai.

Quando oramos, a oração se torna um sinal de que acreditamos e temos fé, e na medida em que nos curvamos em oração, a nossa fé nos fortalece e nos empodera. A confiança em Deus se torna cada vez mais real para aquele que ora e isto cria um círculo virtuoso, onde, quanto mais oramos, mais cresce a nossa fé e quanto maior a nossa fé, mais as nossas preces ganham poder e sentido.

É muito importante saber que Deus não precisa de nós e nem das nossas orações. Como afirma o filósofo Soren Kierkegaard; “Aquele que ora, não deve ter a pretensão de influenciar Deus, mas de melhorar-se a si mesmo antes de qualquer coisa”. Orar para pedir “coisas” ou para atingir resultados insulta Deus, pois a prece fortalece quem ora para passar pelas adversidades que não podemos evitar e assim Deus, o nosso Pai, se entroniza em nossos corações, como nos ensina Viktor Frankl em “A presença ignorada de Deus” sua tese de doutorado que se tornou livro em 1946.

Ali, a prece não deve e não pode ser usada como “estratégia” ou como “arma” para conseguirmos o que sonhamos, porque “os nossos sonhos podem ser loucura diante de Deus”, nós que somos tão pequenos e tão cegos que sequer sabemos o que precisamos para viver, e Deus apenas nos dá o que necessitamos.

A fé, a prece e Deus, são três coisas que ganham sentido juntas, só funcionam conjuntamente e uma coisa confere sentido à outra. A fé é um fenômeno tão interessante, que aquele que crê não precisa da existência real daquilo no que acredita. Aliás, o crente precisa da inexistência concreta daquilo no que acredita, para que a sua fé continue existindo, se aquilo em que ele acredita se tornasse real, paradoxalmente, a sua fé perderia o sentido.

Mas se nos aprofundarmos um pouco mais na fé como um (fe)nômeno, veremos que ela é um presente de Deus, que alguns têm mais e outros têm menos segundo seus méritos, que ela é “o grande remédio do planeta”, pois a todo momento ouvimos de Jesus dizer em cada uma das suas curas; “Vai e não peques mais, e lembre-se; foi a sua fé que lhe curou”. Em todos os lugares e inclusive na Medicina e Psicologia “a cura sempre e tão somente é possível para os que acreditam e procuram”, e batem para que as portas se abram.

Neste sentido, cientificamente, a fé aumenta o chamado “efeito placebo” e quando alguém de confiança diz, por exemplo, “Este remédio é excelente!”, isto aumenta os princípios ativos químicos do medicamento em questão, mas isto pode ocorrer também com um médium, que, em oração ou num passe, atua como se fosse um remédio, como um fio transmissor da cura, como um rádio que dá passagem a algo que tem o poder de curar, quando a palavra é realmente “O Verbo e quando este Verbo precede de Deus”.

Portanto, a indicação positiva de um irmão por alguém crível e portador de força moral, a convicção daquele que o indica, pode gerar fenômenos de cura e elas podem ser concretizadas, tanto por efeitos químicos como nos medicamentos (placebos), como através das curas profissionais, como nas curas espirituais ou mediúnicas quando são bem indicados devido ao (placebo das relações). Se queremos que as pessoas melhorem, devemos tratá-las como se já fossem boas, pois assim elas passam a ter uma incrível força interior e um imenso potencial para ajudarem uns aos outros, e se isto pudesse ter um nome, creio que este nome não deveria ser outro senão “Salvação”.

É também por isto que devemos fazer um jejum em nossas eventuais críticas, julgamentos, malícias e fofocas, evitarmos falar mal das pessoas, e ao invés disto realçarmos o melhor de cada um, porque assim todos melhoram e se tornam capazes de ajudar os outros, movidos pelo efeito placebo. Esta graça se assemelha à capacidade para a transformação da “água em vinho”, cuja metáfora ainda não foi bem compreendida.

Temos duas poderosas ferramentas de cura, a transformação exterior realizada por efeitos placebos, e a transformação interior realizada pela fé, nos transformando em ferramentas espirituais para a mudança do mundo, agindo em primeiro lugar sobre cada um de nós mesmos, e isto, por si só, contribui para transformação do outro pela força do exemplo.

Quando contribuímos para a transformação das pessoas em algo melhor, temos pessoas melhores e estando no meio delas, seremos uma delas, tão bons quanto elas, e falando da bondade de cada um de nós, assim como ocorre com um medicamente usado como placebo e que tem mais potencial de ajuda, quando se diz que ele “é bom”, seremos capazes de curar e de salvarmos uns aos outros.

Assim como dizia o mestre Erickson, “Se quisermos crescer em nossas vidas, devemos fazer com que todos à nossa volta cresçam conosco... e querendo nos transformar em pessoas mais felizes, devemos fazer o possível para que todos à nossa volta sejam felizes como gostaríamos de ser...” e assim por diante.

A prece é um sinal de fé em Deus e tem o poder de curar aquele que acredita e tem fé, e quando isto ocorre, a própria fé aumenta, Deus ganha importância central na vida da pessoa que Nele crê e isto nutre um círculo virtuoso importante. Devemos compreender que este automatismo em si mesmo, não é lá tão importante a não ser para a criação de um comportamento, na gestão de um hábito que com o tempo se tornará um estilo de vida.

Por isto é tão importante a reputação do médium e do profissional de cura. Sua postura, sua fé e sua moral precisam ser indiscutíveis porque assim eles terão maiores possibilidades de influenciar através da confiança e do placebo às relações, onde o que cura nem chega a ser a capacidade técnica real do médico, do médium ou do profissional de cura, pois além da técnica e dos princípios ativos químicos dos medicamentos, o que cura de verdade no médium ou no profissional é a sua moral e a sua boa reputação.

Dimensão espiritual da cura

Até aqui falávamos da espiritualidade e de um deus com “d” minúsculo do qual falavam Freud, Jung, Nietzsche e tantos outros que apresentavam Deus como uma criação ou uma projeção humana, ou talvez um arquétipo herdado geneticamente, um deusunculo inventado e essencialmente inexistente.

De repente surge no cenário da história da Psicologia a figura respeitadíssima de Viktor Frankl, o criador da terceira escola vienense de psicoterapia, a primeira foi a Psicanálise de Freud e segunda foi a Psicologia individual de Adler, mas Frankl era um médico judeu que entre outras coisas foi o prisioneiro 119104 do campo de concentração de Auschwitz, o criador da Logoterapia que é a psicoterapia centrada no sentido da vida.

Em 1946 ele defendeu sua tese de doutorado e lançou um livro chamado “A presença ignorada de Deus”, sobre a presença de uma espiritualidade reprimida e tão censurada como era a sexualidade para Freud, mas ainda assim era uma presença real e concreta, e então, pela primeira vez a Psicologia começou a admitir a existência de Deus e do espírito, e esta foi uma revolução da qual eu próprio participei como seu modesto discípulo.

Antes de Viktor Frankl a prece, via de regra, não era nada mais nada menos do que uma pré-potência daqueles que oravam, porque ao orar para deus, este estaria no mínimo inventando este Ser e se fosse orar para uma eventual espiritualidade que sequer se admitia, seria apenas uma atitude um tanto delirante e normalmente era vista como traço de algumas patologias.

Viktor Frankl fala desta presença ignorada, oculta, inconsciente e desconhecida de Deus com um respeito tal e tão real como nunca jamais ninguém ouvira falar antes. Pela primeira vez se fala de um inconsciente espiritual. Apresenta a dimensão espiritual do homem como algo sério e real, onde Deus é o Supra Sentido, o sentido maior e mais concreto da existência e sem o qual o homem não encontraria esperança e não conseguiria sobreviver.

Os campos morfogenéticos e as ressonâncias mórficas

Frankl faleceu em 1997, mas antes, em 1995, convidamos o médico psiquiatra húngaro Ivan Boszormenyi-Nagy que era o revolucionário da vez para um curso em São Paulo, e o criador da terapia familiar transgeracional, onde se estuda pela primeira vez as implicações da história familiar e dos antepassados sobre a história dos seus descendentes, onde se defendeu a tese sobre as pesquisas que davam conta da existência de uma “Lealdade familiar invisível” e de que seríamos fiéis aos nossos antepassados e muito do que acontece conosco se deve aos mortos, e mais do que isto, somos todos filhos dos mortos de Deus e do tempo.

Muito do que somos e do que vivemos, grande parte dos nossos transtornos provém de atuações do nosso sistema familiar espiritual, para pagarmos dívidas do passado, compromissos herdados por nós que de certa forma vivemos para acertarmos as contas deixadas por nossos familiares, não apenas para acertar os nossos débitos pessoais do passado, mas também dos nossos ancestrais. Os nossos defeitos, enganos e erros seriam, portanto, o mote, a energia que justificaria o nascer e o renascer, a continuidade perpétua da vida rumo ao ômega ou a evolução, como defendia o sacerdote jesuíta Teillard Chardin.

Nesta mesma linhagem o biólogo inglês Rupert Sheldrake desenvolveu a chamada Teoria dos campos mórficos onde se percebeu que seres de espécies semelhantes se comunicam espontaneamente e de forma sutil e daí surgiu o que hoje conhecemos como “Teoria das Ressonâncias Mórficas”, cujas descobertas formaram as bases para as constelações familiares sistêmicas sobre as quais falaremos talvez em outras oportunidades.

Numa ilha do Oceano Pacífico, Rupert e uma equipe de biólogos pesquisadores estudavam macacos, mas a pesquisa que estava em risco, por acaso acabaria tomando outros rumos. Num momento de seca muito prolongada, não existia mais água doce na ilha, e os macacos já estavam morrendo de sede, quando, também por acaso, eles, os macacos, descobriram que dentro dos cocos existia água e desesperados abriam com os dentes os cocos verdes, bebiam e davam daquela água para os seus filhotes.

Ao mesmo tempo, no continente a centenas de quilômetros dali uma outra equipe também estudando macacos, percebeu que eles começaram também a abrir cocos, embora na região existisse água doce. Naquele momento foi descoberta e comprovada cientificamente a existência de uma comunicação perene, natural e sutil entre as espécies, mais especificamente entre as células dos mais diversos seres da vida, inclusive entre nós humanos.

Estudos posteriores comprovariam a existência desta mesma ressonância entre os homens e a teoria dos campos mórficos passaria a fundamentar a possibilidade da comunicação entre todos os seres vivos, e – voltando ao propósito do presente estudo – comprova-se e se justifica a força da influência à distância e a realidade da força, por exemplo, da prece, das vibrações e do trânsito dos fluídos cósmicos, entre os vivos e posteriormente, entre os vivos e os mortos e das almas.

Nada novo até aqui se levarmos em conta o achado mais antigo de Ludwig von Bertalanfy de quem surgiu a “Teoria Geral dos Sistemas” e de Kurt Lewin, que desenvolveu a “Teoria dos campos” e que juntos tornaram viabilizaram o início da psicoterapia familiar, de onde surgiu a noção de “vínculos”, da ligação entre as pessoas do mesmo grupo, de onde fluiu posteriormente a ideia do holismo ou da “Psicologia holística”.

Daí surgiu a convicção de que todas coisas, todos os seres e as pessoas estariam de alguma forma interligados e interagindo entre si e que, talvez, todo o Universo seja uma só coisa viva, infinita e interligada entre si. Que as pessoas se influenciam mutuamente, a ponto do psicólogo Paul Watzlawick, PhD. afirmar em muitas das suas publicações (algumas traduzidas por mim) que, ao contrário do que pensamos “é impossível não nos comunicarmos”, inclusive porque esta comunicação humana está além do controle humano, apesar dela nos orientar e nos guiar pelo mundo.

Portanto, segundo como Rupert Sheldrake, Ludwig von Bertalanfy, Paul Watzlawick, Gregory Bateson do MRI – Mental Research Institute, onde nasceu a psicoterapia familiar sistêmica por volta de 1950, e pesquisadores como Ivan Boszormenyi-Nagy e Bert Hellinger, a família é antes algo espiritual que se comunica em níveis conscientes ou inconscientes e tem um alto poder de influência entre os seus membros, a ponto de ficar confirmado que o que acontece com um, acontece com todos os membros da família e é percebido por todos eles, inclusive pelos mortos.

A partir do documentário audiovisual chamado “Quem somos nós?” https://www.youtube.com/watch?v=aKdjrtEGsMo começou um movimento da Filosofia e da Psicologia quântica concluindo até mesmo que não existem os chamados “espaços vazios”. Em Stuttgart, Alemanha, o professor Hermann Haken lança o conceito de “Sinergia” https://www.youtube.com/watch?v=hzzi9Nd8AnM e nasce a sinergética, afirmando que todas as coisas confluem para um mesmo destino, somam-se naturalmente em busca de soluções e que estas soluções é o bem convergente atuando para salvação do mundo, buscando naturalmente a melhor solução para as dificuldades da vida, ou seja, as células e os microrganismos conversam entre si e somam esforços para vencerem obstáculos e sobreviverem.

Se alguém faz algo de bom num determinado grupo, todo o time é beneficiado, e, ao contrário, se alguém se prejudica, todo o grupo é prejudicado, porque as dores espirituais ou psicológicas são compartilhadas conscientemente ou não. Se alguém joga uma pedra no lago, todo o lago, inclusive as margens serão afetadas pela força das ondas e quando a Amazônia é atacada, todo o planeta é atingido, o clima piora e todos perdem com isto de alguma forma.

Tudo o que acontece com as partes, afeta o todo, por isto a prece ainda que humilde e pouco ambiciosa, pode chegar horizontalmente à todas as pessoas e a qualquer distância – no aqui agora –, ou verticalmente, atuando em profundidade, afetando outras esferas inclusive do tempo, o passado o futuro e os mortos.

As constelações familiares

As constelações familiares de Bert Hellinger, passaram a ser uma das esperanças, um recurso ao qual o mundo inteiro tem recorrido para compreender e sanear influências do passado, e a essência das constelações é “a fala” com seres do passado, do presente ou do futuro, com as pessoas que foram excluídas, mortas, prejudicadas, abandonadas, esquecidas ou abortadas e que atuam no campo nos adoecendo. Estes seres excluídos são abordados com frases e palavras que os encaminham e foi comprovada a sua força para a libertação das pessoas que se adoeceram capturadas por redes destes seres que atuam sobre o campo https://www.youtube.com/watch?v=QVYFDkUgdvM .

As frases e as orientações dadas durante a as constelações são semelhantes as orações. Frases como, por exemplo, “Eu sinto muito”, ou “Eu tenho um lugar para você na nossa família e em nos nossos corações”, coisas ditas com um determinado propósito para os seres que aparecem nas constelações sejam encaminhados.

Ouvimos pais que passaram fome e tiveram dificuldades no passado dizerem; “eu não quero que meus filhos passem pelo que passei” e dão a eles tudo o que não tiveram no passado. Outros, sabendo que muitos passaram fome, na vida atual comem por dezenas e dezenas de pessoas”, são avarentos e podem acumular fortunas para muitas vidas, tentando alucinatoriamente compensar as carências do seus ancestrais de um passado distante.

Imaginem as injustiças de um sistema capturando os seus descendentes, pessoas que estão chegando à vida agora, por exemplo um bebê que acaba de nascer e já nasce devedor de contas que nem sempre são suas, isto, além do que espiritualmente trazemos das nossas próprias vidas passadas!

Uma criança abortada continua na família espiritual hoje aqui e agora e aparece no grupo causando doenças e distúrbios. Imaginem termos que pagar por contas que os nossos antepassados fizerem, em algo que se assemelha a um carma familiar, um carma coletivo, onde o que os nossos ancestrais fizeram continua em aberto e vão sendo quitados por nós como seus descendentes. (Entendam que abordo as constelações pelo fato do campo fazer por si mesmo e espontaneamente, comunicações entre os elementos familiares e as intervenções serem semelhantes às preces).

Foi isto que alguns estudiosos sistêmicos como Nagy, Sheldrake, Bert Hellinger e até mesmo William Blake, o grande poeta espiritualista inglês descobriu, a ponto de nos exortar a “vermos o universo num grão de areia e toda a eternidade num segundo” porque tudo se inter-relaciona e se comunica.

Então as influências procedem das mais diversas origens, por exemplo da chamada “lealdade invisível” quando somos leais aos nossos antepassados e continuamos a segui-los, quando as influências vêm do sistema familiar, atuando sobre o outro e coagindo seus elementos à destinos que nem imaginamos.

Bert Hellinger se associa nos seus últimos estudos, já com 92 anos e atualmente (2018) esteve no Brasil, estudando espiritismo em Centros de referência e sabe que as influências que atuam sobre nós, procedem de pelos menos três origens; de uma origem genética (DNA), de origens espirituais e comunicacionais, de certos determinismos biológicos, de origem cármica ou das constelações familiares, da alma da família ou do inconsciente grupal como afirmava o psicanalista argentino Pichon Revière.

Hoje está cada vez mais claro para mim como estudioso de Psicologia, Filosofia e Mediunidade, que existem duas famílias possíveis no mundo, sendo uma delas a família corpórea e física, mas a família que realmente importa é a família espiritual, que no fundo é a única que família que existe.

Mas para concluir, venha de onde vierem as influências que atuam sobre nós como indivíduos e coparticipantes dos sistemas familiares e da história, uma coisa é certa; existe uma comunicação espontânea e natural e entre nós, através da qual tudo se harmoniza ou se desarmoniza ciclicamente.

Antes da crença na prece nua e crua e seus efeitos, num nível mais profundo talvez, parece existir algo maior, que é a capacidade humana de se comunicar à distância em múltiplos níveis e um deles é através da prece, cuja realidade é incontestável. A prece é veiculada por fluidos universais e pela comunicação espiritual humana, uma comunicação que é “impossível não ocorrer” e que faz parte do misterioso oceano que a Filosofia não se cansa de tentar decifrar e se já não o decifrou é porque, para se decifrar alguma coisa, precisamos antes acreditar nela.

É para esta direção que caminham ciências do futuro como, por exemplo, as constelações familiares que ainda apalpa de longe e tateia timidamente os sinais que ela consegue ver. É que o olhar do observador, por vezes constrói o que ele anseia por comprovar, mas já vislumbramos o mar em cujas ondas flui az prece e a mediunidade, o mar por onde temos que navegar e cujos fenômenos são vivenciados desde as descobertas de Alan Kardec.

José Carlos Vitor Gomes, Psic.

Cel. 19 99191-5685

 

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