A LOGOTERAPIA DA DEPRESSÃO

“O QUE NÃO DEVEMOS DIZER A UMA PESSOA DOENTE”

José Carlos Vitor Gomes, Psic.

 

As enfermidades podem ser mantidas, pioradas ou curadas através das palavras ditas à pessoa doente, afinal, é nas palavras que se baseiam as psicoterapias. O nosso despreparo, às vezes, nos leva a dizer coisas que agravam o estado psicológico da pessoa que sofre, atrapalhando na cura e piorando o seu estado.

O nosso principal desespero está em lutarmos tão abertamente contra o mal, como se tudo que acontece não fosse fruto das nossas escolhas e nem fosse quase sempre para o nosso bem.

Ao contrário, a nossa ingenuidade está em acharmos que o êxito é o prazer, como se ele nunca atuasse contra nós, como se a nossa cabeça fosse sempre nossa aliada e trabalhasse sempre a nosso favor. Achamos que o prazer é próprio sentido das nossas vidas, como se ele não encerrasse o vazio, como se o prazer não tivesse nada a ver com as drogas e os vícios.

É neste contexto e com este viés que estudaremos rapidamente a depressão e a ansiedade, refletindo sobre “o que não fazermos” tendo como base a Logoterapia, a aplicação sutil da Técnica da Utilização, a Escuta Ativa e a Derreflexão, os resultados decorrentes da minha prática desde 1982.

Uma vez, um paciente com problemas cardíacos foi ao médico acompanhado por alguém da sua família que lhe disse: “- Como você está pálido! Tem certeza que você está bem?” E com esse gatilho, o paciente piorou, teve um infarto e talvez por isto veio a falecer.

Observações tão infelizes assim, podem vir na medida certa e piorar o que já não está bem, desencadeando crises, às vezes sem volta, na pessoa que pode nem estar lá tão enferma assim, mas com estas intervenções tão iatrogênicas ou antiterapêuticas agravam-se todos os sintomas.

Quando uma pessoa está nervosa demais e alguém lhe pergunta: “- Você está nervosa? Esta observação pode induzir exatamente aquilo que a gente está querendo evitar e se a pessoa não estava nervosa, agora, com esta pergunta com certeza ficará!

Frases como; “você está esquisito!”, deixam as pessoas esquisitas! “Você está estranho!” deixa a pessoa estranha. “Você está mal-humorado ou mal-humorada”, deixa a pessoa mal-humorada. “O que está acontecendo?” “Nossa; que cara, hein?” e assim por diante; todas estas falas concorrem para a construção do estado que se deseja evitar e se constituem na psicologia reversa em que Frankl e Erickson se basearam para construir suas técnicas.

Porém, referindo-nos ao caso da depressão, ela é uma doença ainda bastante negligenciada e a falta de informação, é o principal problema e é o que torna mais difícil a compreensão do que se passa na intimidade da pessoa deprimida ou ansiosa.

As pessoas mais ignorantes podem achar que o depressivo é um preguiçoso que finge estar doente para não trabalhar. Na verdade, depressão é uma coisa séria. É consequência de falhas no funcionamento da serotonina, da noradrenalina e a dopamina que são os hormônios responsáveis pelo bom funcionamento emocional e cerebral da pessoa. Com esta falha, a comunicação entre os neurônios fica prejudicada e com a desequilíbrio das funções dos neurônios, o corpo, o cérebro e a mente entram em sofrimento.

Você pode fazer muitas coisas para ajudar, mais NÃO DEVE DIZER frases como; “- Não é para tanto. Você já deveria estar se sentindo melhor… Você precisa se esforçar para superar isto!

Entenda que para o depressivo não há muito como lutar contra a depressão, inclusive porque, quanto mais se luta contra ela, mais intensa ela fica, pois, por alguma razão a depressão e a ansiedade se alimentam da luta da pessoa contra a sua própria doença.

Não menospreze a doença do outro, pois, por mais força de vontade que o depressivo, ou o ansioso tenham, eles não conseguem mudar a sua forma de sentir o mundo. Não se trata de uma tristeza boba qualquer, mas de uma doença séria que está sempre associada a falta de alguns elementos químicos no cérebro.

Por tudo isto, estas enfermidades precisam de acompanhamento profissional, seja do médico, do psicólogo e frequentemente do uso de antidepressivos, sem os quais o doente pode correr sérios riscos até de cometer suicídio.

Deixamos aqui algumas orientações sobre como agir. Não pressione! Não cobre melhoras, porque isto não depende da pessoa doente. Às vezes, ela nem sabe que está doente. Ofereça-lhe ajuda para que ela possa procurar um profissional e acompanhe a pessoa depressiva durante as primeiras sessões para que ela possa se sentir confiante, segura e amparada.

Não adianta você dizer coisas do tipo: “- Não se preocupe! Procure olhar o lado positivo da vida! Você está muito pessimista ou muito negativo.”

Nada disto vai ajudar!

Ao fazer esta afirmação você se mostra ignorante, insensível e mal informado em relação aos sentimentos, aos medos e as preocupações perturbadoras da pessoa com depressão ou ansiedade.

Respeite as emoções da pessoa que está em sofrimento e faça com que ela entenda a necessidade da procura de um acompanhamento médico urgente para lidar contra estes sentimentos.

Não adianta você dizer coisas do tipo: “- Escute os meus conselhos.” Pois, mesmo que você fosse um profissional, ela não escutaria você. Por melhor que seja a sua intenção, dar conselhos e dicas com base em suas experiências de vida, não ajudaria em nada e pelo contrário, aprofundaria a tristeza e vazio da pessoa.

Você ajudaria mais sendo apenas um bom ouvinte, deixando a pessoa livre, relaxada e confortável para abrir o coração e compartilhar seus medos, anseios e emoções, sem julgamentos e sermões. Então, apenas “ouça sem dar conselho” algum, com uma “escuta ativa” que é, sem dúvida o melhor remédio.

Não adianta você dizer: “- Olhe a sua volta! Você tem todos os motivos do mundo para estar feliz! Acordar vivo e respirando já é um bom motivo para você se ter felicidade.”

Na verdade, a última coisa que uma pessoa deprimida necessita é que você desvalorize os seus sentimentos. Mais do que isto, tudo pode piorar, uma vez que ela pode ser sentir ridícula e culpada por não conseguir aproveitar as coisas boas da vida.

Novamente aqui, você deve dar suporte sem fazer críticas. Usar frases de incentivo, como: “você não está só! Pode contar sempre comigo” para um apoio efetivo e assim por diante.

Também não adianta você dizer: “- Não reclame! Olhe para o lado e você vai ver que existem pessoas passando por coisas piores.”

O sentimento de tristeza e impotência aumentam quando a pessoa não consegue superar uma dor aparentemente simples, enquanto outros superam situações muito mais difíceis. Assim, a pessoa que sofre se sentirá ainda mais insegura, enfraquecida e incapaz, e se tornará ainda mais desanimada.

Evite fazer comparações! Cada pessoa é única no mundo e percebe a vida de modo diferente. Não tente pôr todas as pessoas no mesmo saco. Todos somos diferentes. Procure ouvir e compreender os sentimentos de cada um, mesmo que para você, os problemas do outro pareçam ser simples.

Milton Erickson dizia que “temos que construir uma psicoterapia nova para cada novo paciente que chega”, cortando sob medida como faria um bom alfaiate que precisa medir novamente inclusive o mesmo cliente cada vez que ele voltar. Cada cliente é único no mundo e, portanto, nenhuma teoria generalizada vai lhe servir como uma roupa qualquer e sem os devidos ajustes.

Não adianta você dizer: “- Isto não é motivo para você ficar tão triste, tão infeliz... O problema é que você é muito casca de ferida e qualquer coisa lhe faz desabar!”

Quando você diz que a pessoa é muito sensível, você a desconsidera e sugere que ela não sabe lidar bem com a sua vida, e com isto, você piora as coisas dizendo sutilmente que ela é fraca.

A depressão não é um traço de personalidade, é um problema sério e, dependendo do nível em que se encontra, a pessoa pode perder o sentido da vida e a vontade de viver, podendo chegar a cometer suicídio, para solucionar seus sentimentos de culpa.

Jamais desanime a pessoa com depressão! Diga que ela é forte. Valorize as suas qualidades e não deixe de mostrar a sua disponibilidade em dar apoio em tudo o que ela precisar.

Você não precisa dizer coisas do tipo: “- No meu tempo não existia depressão. Hoje as pessoas são mais fracas”. Cuidado com a fala!

Na verdade, as pessoas são diagnosticadas com depressão desde 1960 e antes disso, ela já existia, mas, por muitas razões ela não era encarada como doença. Entre os escravos ela já existia e era eventualmente chamada de “banzo”, uma tristeza grave e intensa que o negro sentia, e assim, não é verdade que a depressão não existia antes, mas isto não precisa ser dito, até porque está comprovado o efeito iatrogênico e adoecedor de afirmações desse tipo sobre as pessoas deprimidas ou ansiosas.

Ao contrário, procure compreender que ninguém decide ficar depressivo, que ela não é uma doença de época e muito menos está associada a coisas como a TPM – Tensão Pré-Menstrual e etc. A maioria das pessoas não estão preparadas para lidar com a depressão, portanto, é melhor buscar realmente ajuda profissional, mas você pode ajudar escutando pacientemente as suas queixas.

Alguns afirmam que - Tudo passa! Descanse hoje que amanhã você estará bem!” o que é outra bobagem, porque sem ajuda profissional não vai passar. Enquanto afirmamos que “tudo passará”, a pessoa que nem sabe que está deprimida, continuará a sofrer e isto parece irônico, não é bem assim que as coisas acontecem e se a depressão não for curada, a pessoa pode tentar se matar.

Ao invés de conselhos do tipo “Espere que tudo passa” seria melhor mostrar o nosso respeito para com o sofrimento dela, ouvindo atenciosamente e talvez dizendo: “É realmente muito desagradável e sinto muito, mas você não está sozinha ou sozinho nesta. Vou estar aqui com você! Conte-me mais de você!”

Os falsos amigos ou parentes descuidados às vezes dizem: “Infelizmente você não se mexe, você sumiu, não ligou mais para mim, etc.” Isto pode até ser verdadeiro, no entanto, também isto não ajuda a pessoa. Talvez você não saiba o que é “estar depressivo”. A pessoa pode não conseguir se levantar da cama. Perde o interesse por tudo e, às vezes, não quer falar com ninguém.

Às vezes para de comer, outras vezes come demais, perde o interesse ou fica dependente de algumas pessoas. Pode optar pelo uso de drogas ou se tornar alcoólatra. Entre os homens, pode surgir um interesse exagerado por sexo e entre as mulheres um desinteresse ainda maior, aumentar o ciúme e surgir impotências. O depressivo prefere os quartos escuros e sem luz, olhar para baixo “onde simbolicamente estariam os mortos” aos quais deseja seguir.

Um dos piores sintomas da depressão é o afastamento e o isolamento, quando a pessoa simplesmente não quer interagir e o simples conversar pode ser uma tarefa muito dolorosa e difícil. Pode parecer que a pessoa está simplesmente mal-humorada, o que é irreal e não significa que a pessoa deprimida quer ligar ou falar com você; ela simplesmente não consegue.

Ao invés de dizer que ela “não liga”, evite esse tipo de cobrança porque esta é uma oportunidade para interagir, manter-se por perto a fim de que ela se sinta acolhida. Fique por perto. Ouça. Não interpretem nada, mesmo porque a Logoterapia como abordagem fenomenológica não faz intepretações.

Eu tive uma paciente que não conseguiu se levantar por 15 dias, desapareceu do consultório e numa ligação percebi que ela estava em profunda depressão. Esquecia-se até de tomar se remédios. A partir daí eu passei a atende-la em sua casa até começar a reagir, a aguar as plantas, tratar dos animais, colocar roupas na máquina e no varal, tomar banho, até que depois de quinze dias ela começou a retomar a vida e voltou a trabalhar.

Não adianta observações do tipo: “Antes você era tão cheia ou cheio de vida... era alegre e sorridente!”

Ao contrário do que supomos, a pessoa depressiva nem sempre está amuada, triste ou abatida e às vezes fica até mais ativa, e trabalhando somatiza a sua doença de outras formas. A depressão nem sempre está na cara da pessoa. Às vezes oscila e se confunde com as chamadas “bipolaridades” e se escapa ao nosso controle.

Os falsos otimistas, às vezes dizem que somos livres para decidir o que fazermos da vida. Com a pessoa doente não é bem assim! Uma depressão pode nos roubar de nós mesmos e perdemos o controle sobre a nossa própria vida. E de repente caímos numa tristeza profunda, um inexplicável cansaço e ao mesmo tempo, sequer conseguimos dormir porque estamos fora do nosso controle. A pessoa depressiva às vezes fica como que anestesiada. Não sente. Não se percebe, e mesmo assim ela age.

Procure distrair a pessoa e ajudá-la voltar a se sentir bem. Da mesma forma que existem os gatilhos que nos expõem à doença, existem aqueles que recomeçam a vida saudável, a alegria e a cura, devolvendo um sentido para a vida. Às vezes, iniciar uma boa conversar, bater um bolo ou fazer um café, abrir as janelas que antes ficavam fechadas e ver o dia, é o suficiente. Isto faz parte daquilo que o Dr. Viktor Frankl, psiquiatra e pai da Logoterapia chamava de “Derreflexão”, a mudança do foco, ressignificação, distraindo e usando humor para sair da crise. Outros chamam isto de capacidade de “utilização” da doença para ir além da própria doença e aprender com ela como sair de si mesma.

Também não adianta dizer: “- Você é forte e vai conseguir superar isto sozinho ou sozinha.”

Dizer que a pessoa é forte não vai fazer o cérebro dela trabalhar a e repor a serotonina. As coisas não são assim tão mágicas. Não se esqueçam de que depressão é uma doença de fundo químico e não apenas emocional. Alguma coisa na mente da pessoa passa a não funcionar bem e ela precisará de uma ajuda profissional ou humana competente para facilitar a sua recuperação.

Não é por acaso que a Inglaterra criou recentemente o chamado “Ministério da Solidão”. Nos últimos anos, milhares de pessoas ficavam abandonadas e muitas morriam isoladas em seus próprios lares, sozinhas e sem a ajuda de ninguém. Algumas eram descobertas dias depois, cometiam suicídio e se perdiam na solidão da vida moderna, nas nossas mais diversas formas de abandono.

A invés de ficarmos afirmando estrategicamente que a pessoa tem “força interior”, coisa que a maioria dos amigos, familiares e profissionais despreparados dizem, poderíamos enfatizar; “eu estarei aqui enquanto você precisa do meu apoio, de alguém para conversar, até se sentir melhor.” Precisa ficar claro que o que mais mata o depressivo é o abandono. Os seus amigos, às vezes, nem se dão conta de que uma pessoa está numa crise solitária.

A depressão pode ser endógena determinada por causas interiores, pela falta de Serotonina, mas principalmente falta de um sentido para a vida. Pode ser uma depressão exógena, determinada, por causas exteriores, por incidentes existencial, por uma perda amorosa, pela morte de alguém, pelo desemprego, por uma doença grave, um acidente, por uma aposentadoria onde a pessoa encerra as atividades que lhe davam sentido para a vida e a mergulhe no vazio existencial e na falta de uma razão para viver.

Mesmo sendo por causas psicoemocionais, os medicamentos são essenciais. Medicamentos não são para sempre! Eles funcionam como o gesso numa fratura, o gesso que mantém as partes fraturadas em contato para que a natureza faça a sua parte colando os ossos quebrados. Com o tempo, os medicamentos são retirados como o gesso assim que a natureza restaura o que tinha que ser restaurado.

Dizer: - “Tome cuidado para não se viciar nos remédios é outra bobagem que não ajuda em coisa alguma. É claro que vemos pessoas andando pelas ruas como zumbis porque se viciaram em remédios, mas isto não é desejável e nem é o normal. Muitas pessoas deixam de se tratar ou de procurar ajuda, por medo de ficarem viciadas em remédios e daí ficam viciadas em suas próprias doenças, e para dizer a verdade, não sei bem o que é pior!

O bom senso diz que o tratamento medicamentoso adequado não é para sempre e que as psicoterapias são essenciais para substituir os medicamentos. Elas nunca defendem quaisquer vícios em remédios e, ao contrário, está na psicoterapia a solução para a superação dos vícios em medicamentos quando eles ocorrem.

Procurar informação nos ajuda a ajudar pessoas que estão próximas de nós, a compreenderem que os psicoterapeutas e os médicos formam uma espécie de brigada para a superação da depressão que é considerada, assim como o câncer e as drogas; a doença do século. Não desencoraje às pessoas na busca da ajuda médica baseando-se em crenças de sua mente, pois algumas pessoas podem se matar pela falta de medicamentos, que como dissemos, funcionam como o gesso e que são usados transitoriamente para a cura.

Sem qualquer crítica às religiões e à fé, mesmo porque cada vez mais a Ciência reconhece a importância das religiões e da fé como remédios para algumas doenças, mas dizer: “- Tenha fé em Deus que Ele vai te curar”, quando a pessoa está em crise, também não vai ajudá-la em quase nada.

A religião e a fé podem ser fatores decisivos e podem ajudar pessoas depressivas em recuperação, mas os medicamentos, as terapias, as técnicas e os médicos, às vezes, são as “bênçãos” que faltavam para a cura. Nas depressões, na deficiência dos neurotransmissores e da serotonina, existe a necessidade de tratamentos médicos e psicológicos específicos e de apoio químico.

Deixar de recorrer ao médico que está a serviço de Deus (especialmente do nosso Deus interior), é o mesmo que deixar de ir ao hospital após sofrer um acidente e deixar de contar com a mão humana que também pode funcionar como instrumento de ajuda. As religiões lúcidas sabem que Deus nos ajuda através do amor, da caridade e principalmente através uns dos outros.

Você pode ajudar a pessoa a entender que ela precisa de ajuda prática e que a pessoa depressiva, quando bem diagnosticada, precisa de ajuda efetiva para a sua cura; por exemplo, para sair de casa e tomar um banho de sol, fazer uma boa caminhada ou respirar um pouco de ar fresco.

A depressão tem acometido a população mais jovem, e o desemprego, o aumento da adolescência e a dependência da ajuda dos pais até mais tarde, o alcoolismo e as drogas, a falta de razões concretas para viver e o vazio existencial; têm feito com que muitos jovens sejam capturados pela de depressão.

Não é por acaso que os índices de suicídio entre os adolescentes engrossam as estatísticas pelo mundo afora. Portanto, não adianta dizer: “– Você é tão jovem. Ainda nem viveu tanto, e não precisa viver assim”. Tudo isto é vazio demais! Na verdade, a depressão não escolhe idades, não é algo que possamos escolher não ter. A depressão é o retrato de uma era, uma doença que atinge especialmente os mais jovens e os mais idosos.

A idade não tem nada a ver com a história. Dizer que alguém é tão jovem e “já está doente” não ajuda em nada, aliás, desanima aquele que precisa acreditar em si mesmo e na vida. Ser jovem, ter vitalidade, energia e disposição, não livra ninguém de ser tomado por uma doença e isto deixa a pessoa ainda mais desconfortável por não estar aproveitando a sua juventude sem culpa.

Poderíamos, ao invés disto deixar claro que todos lamentamos, que estamos dispostos a ajudarmos uns aos outros no que for essencial para recuperar as nossas forças para viver, que não existe outro mundo e nem outra realidade a não ser esta aqui e agora.

Estamos todos no mesmo barco. Somos solidários. Compreendemos a gravidade da depressão, da violência e da ansiedade e nos congregamos para a sua superação, com ouvidos atentos, corações abertos, com as nossas almas, com as psicoterapias e os medicamentos, mas especialmente com a consciência de que a depressão e o vazio, são as piores doenças do mundo atual, que foram construídas coletivamente e que também coletivamente precisam ser superadas.

José Carlos Vitor Gomes, Psic.
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