A Conspiração das Árvores

Quando eu era criança, os meus pais ainda viviam na floresta numa pequena cidade paranaense onde vivemos até 1968. Em Iretama naquele tempo e lugar, eu fui aprendendo a me relacionar com árvores de todas as raças e tamanhos e com a sensibilidade delas, tanto que ao final deste artigo incluirei uma poesia Argentina que ouvi da professora, Martha Iglesias, que contribuiu para que me encantasse com vida e o sentido que ela tem.

O sentido que se apresenta em todos os seres e das mais interessantes formas. Rupert Sheldrake em seus estudos sobre ressonância mórfica nos relata sobre a comunicação entre os animais, sobre a presença do passado e do futuro aqui agora-agora e de como todas coisas formam uma unidade sinérgica e sistêmica, e no presente artigo e nos estudos de Peter Wohlleben sobre as árvores tudo parece fechar e se completar.

Olhando a superfície, conhecemos as árvores como as ramagens que crescem sobre o solo, no entanto, a parte mais poderosa delas se encontram debaixo da terra, ainda que nós, os humanos, nos beneficiemos apenas de suas copas ou do que ela tem aparente. As árvores aumentam nossas energias e vibrações para que nos sintamos bem, tanto física como psiquicamente. Por isto, se passeamos frequentemente por entre os bosques corremos o risco inclusive nos curarmos de muitas das nossas enfermidades.

A Dra. Suzanne Simard da Universidade de Columbia Britânica, passou mais de trinta anos pesquisando como se comunicam as árvores. Demonstrou que as que são da mesma espécie, se comunicam, se interatuam e se ajudam a sobreviver no dia a dia.

Quando passeamos por um arvoredo achamos que elas são aquilo que vemos, mas entre elas acontece algo muito maior do que os nossos olhos conseguem perceber. Debaixo da terra existe um misterioso mundo de infinitos caminhos biológicos que conectam as árvores entre si, que lhes permite se comunicarem e se comportarem como uma unidade e um só organismo, e isto nos leva a pensar que existe uma poderosa inteligência desconhecida entre elas.

Suzane e sua equipe, descobriu que há uma rede por debaixo do solo que se estende por todo o bosque. Um punhado de terra pode conter quilômetros de fios, estes fios são raízes e fungos que formam uma simbiose com as raízes das árvores. Debaixo da terra, as raízes se juntam com os fungos, e assim, por exemplo, uma árvore se entrelaça energeticamente e um ou dois metros debaixo da terra e constrói um sistema de raízes, onde os fungos que são os mensageiros, enviam o gás carbônico essencial e tudo mais que elas possam necessitar.

Todas as árvores trabalham unidas transmitindo ou enviando uma grande quantidade de dados, de informações e nutrientes, como se todo o bosque fosse apenas um organismo vivo. Na verdade, as árvores são seres muito sociáveis que falam uma língua comum entre elas. As árvores não são agressivas e nem competidoras com seres da sua mesma espécie, ao contrário, se ajudam e apoiam umas às outras, e parecem ter desenvolvido uma consciência de grupo e de colaboração mutua bastante elevada e não seria exagero afirmar que, por tudo isto, somando a comunicação entre os vegetais e ressonância mórfica entre as espécies animais, que um bosque ou uma floresta tem alma.

Esta teoria é também compartilhada pela bióloga Susan Dudley da Universidade MacMaster, que descobriu que alguns tipos de orquídeas, quando estão rodeadas por exemplares de sua mesma espécie, investem menos energia para expandir as suas raízes e ocupam uma área menor no solo, porém quando não estão próximas de exemplares da mesma espécie, elas expandem o máximo possível.

Segundo Suzanne Simard, as árvores têm sentimentos e podem viver emoções de dor e de medo. Se uma delas é atacada por um inseto ou pelo homem, elas avisam umas às outras para que se preparem para enfrentarem as ameaças. O químico orgânico americano Davey Rhoades infectou um bosque com lagartas taturanas tóxicas, com a intenção de que estas árvores se protegessem delas. Para se defenderem, as raízes elevaram o nível de ácidos clorogênicos, que é tóxico para as taturanas e elas morreram.

O mais curioso é que um grupo de árvores da mesma espécie que ficavam próximas e que não tinham sido infectadas por taturanas tóxicas, também elevaram seus níveis de ácidos clorogênicos diante da possibilidade de um ataque, e isto demonstrou que existe algum tipo de comunicação entre as árvores.

Algo muito semelhante acontece com as acácias. As girafas mordiscam as suas folhas mais altas por apenas um momento para que elas não desconfiem e não se armem. Se nós, os humanos, não sabemos é problema nosso, mas as girafas são espertas e percebem que as árvores se dão conta de que estão sendo atacadas, desenvolvem espinhos mortais para os herbívoros, e não é só isto, as girafas preferem não comer mais folha alguma das demais árvores do bosque, ou andam por mais de cem metros até se arriscarem a comer outras folhas, pois sabem que todas as acácias se rebelam e começam a gerar os tais espinhos terrivelmente tóxicos, demonstrando que entre elas existiu algum tipo de comunicação.

Para dizer a verdade, eu nem sei porque isto nos impressionam tanto se até as regiões, a Terra, o fogo, o ar e os lugares parecem conversar entre si. Os ventos existem por isto! Quando uma região está com sua temperatura alta, ela parece pedir socorro, o oxigênio se movimenta mais rapidamente para socorrê-la e em seus rastros surge o vento. Como disse Hamlet; tudo que é vivo é sábio! “...E existe muito mais mistérios entre o Céu e a Terra do que imagina a nossa vã filosofia!”

Há muitos anos, o francês Paul Caro descobriu que as cajueiras atacadas por lagartas, excretavam seivas tóxicas e um tanto mais adocicadas, somente para atraí-las e matá-las. As árvores podem construir armadilhas contra os seus predadores. Curiosamente, para afastar seus invasores e inimigos, também as nogueiras utilizam as folhas secas que caem pelo chão, e que ao se decomporem, liberam um veneno que intoxica e mata os insetos invasores.

São as árvores fabricando seus próprios inseticidas.

A Dra. Simard, à quem nos referimos acima, se refere as árvores mães que são aquelas árvores grandes e antigas “senhoras” que atraem os nossos olhares quando entramos num bosque e que curiosamente estão conectadas à todas as demais árvores que estão à sua volta, especialmente as menores, ainda que sejam de diferentes espécies. Estas árvores ancestrais cuidam das suas vizinhas como se fosse uma grande família e na verdade o é. Elas fazem uma transferência de recursos, de informações e de uma espécie de sabedoria, como fazem os mais velhos em relação aos mais jovens. Assim, as árvores mais velhas cuidam das mais jovens, ou melhor; cuida da geração mais nova, como numa espécie de ordem, onde os mais novos seguem os mais velhos.

Isto é também o que se passa entre os humanos, onde, segundo Bert Hellinger e Ivan Boszormenyi-Nagy, se estabelecem emaranhamentos e uma certa lealdade invisível e uma ordem oculta onde o mais novo precisa honrar e respeitar o mais velho, e o mais velho precisa ser motivo de honra e conduzir os mais novos, para que exista êxito e para que sejam possíveis a saúde e a “felicidade”.

Os ecossistemas dos bosques e das florestas são muitos complexos e estamos começando a descobrir que as raízes das florestas funcionam como os nossos cérebros. Elas parecem que estão de cabeça para baixo, mas como o cérebro humano, elas se compõem de neurônios, enzimas e pensam.

Na verdade, se prestamos atenção, as árvores parecem meditar!

Como em nossas cabeças, os neurônios se relacionam fisicamente, mas também metafisicamente porque se comunicam, dependem uma das outras e nunca brigam entre si, parecendo ser um tipo superior inteligência. Stefano Mancuso, professor da Universidade de Florença e que é uma das maiores autoridades do mundo em neurobiologia vegetal, considera que as plantas são seres sinérgicos e profundamente sábios. Para ele a inteligência é a capacidade do organismo para se adaptar e/ou solucionar problemas e isto as plantas o fazem muito bem.

Stefano criou o Laboratório Internacional de Neurobiologia Vegetal onde ele e sua equipe, trabalham mais de dez anos e estão convencidos de que as plantas são a base da vida humana, porque fazem conexão entre o Sol e a Terra, e transformando luz em alimento, torna possível a vida animal. A energia solar é recolhida pelas plantas na fotossíntese e somente elas sabem como transformar luz em energia química e em açúcar, que é o que os seres humanos e os animais necessitam para viver.

Sem as plantas, não teríamos energia e não poderíamos viver. É muito importante isto; somente elas sabem fazer fotossínteses.

Depois de muitas investigações, sabemos superficialmente agora que as plantas inclusive dormem assim como os animais, que elas têm um ciclo de atividades durante o dia e descansam durante a noite. Durante o dia, elas batalham para controlarem o calor e as intemperes, lutam contra as agressões do meio e sustentam todos nós como uma mãe dedicada que amamenta a vida, sem se importar sequer se aquele que ela sustenta é amigo ou inimigo, mas quando amanhece o dia, lá está ela cheia de vigor, transformando luz em vida, ou em alimento, e fazendo a fotossíntese.

Até o presente momento histórico, temos nos revelado incapazes de supor e sequer imaginarmos como é difícil ser planta, especialmente num mundo que tanto aprecia os desertos!

Elas precisam se defenderem e nos defenderem, às vezes, até de nós mesmos e das nossas tão incontáveis hostilidades. Parecem esconder em si mesmas uma espécie de “intenção secreta”, lidando com uma presença ignorada de algo Imponderável, levando em si mesmas e, por vezes, disfarçadamente, o olhar da testemunha justa e poderosa da Transcendência.

Elas estão sempre se comunicando entre si, mesmo enquanto descansam, falando através das moléculas, fungos, raízes e aromas, assim, assim, quando sentimos o aroma de uma flor, estamos captando mensagens que elas mandam ou recebem umas das outras, quando precisam agir, quando se sentem ameaçadas, ou para que os insetos iniciem a polinização e se fertilizem. Agora, uma vai engravidando a outra e depois das chuvas darão a luz dos seus frutos, mas ainda precisarão de algum tempo, pois tudo precisa de tempo para se tornar doce... e a luz que vem do alto se tornará doçura...

Todos estes estudiosos perceberam que as plantas estão atentas, percebem, enviam e recebem as mensagens físicas, metafísicas e químicas que os animais não conseguiriam alcançar. Uma outra pesquisadora não menos revolucionária neste campo é a Dr. Monica Gagliano do Centro de Biologia Evolutiva da Universidade Oeste Autraliano, que juntamente com Stefano Mancuso e o nano-biólogo Daniel Robert, falam da comunicação existente entre as plantas e dos ruídos que as raízes de alguns vegetais emitem.

Nós, os seres humanos, não ouvimos o som das plantas porque elas se comunicam cuidadosamente através de ondas imperceptíveis ao ouvido humano e que são detectáveis por equipamentos. As frequências são muito baixas, mas o fato de não conseguirmos percebê-las, não significa que elas não existam.

Cada vez mais conseguimos superar preconceitos e acertar que as plantas utilizam sons delicadíssimos para se comunicarem. Nada de novo nisto, pois, segundo a física, tudo que existe vibra e emite sons ou ondas sonoras, e em termos energéticos, uma planta gasta menos energia emitindo sinais sonoros do que se emitisse sinais químicos. Em algum momento elas fizeram uma escolha, e segundo estes investigadores, os vegetais têm sensores auditivos diferentes dos ouvidos humanos e animais.

As membranas das células vegetais, todavia, reagem às vibrações de uma forma muito semelhante às células dos ouvidos humanos. Uma equipe de pesquisadores da universidade de Oxford, descobriram que as plantas percebem quando existe escassez de água e então decidem abrir mãos das suas folhas e, para economizar água, estas caem para que não lhes faltem água. As verduras murcham e se fecham para não desperdiçarem água e quando refresca, quando aumenta a umidade do ar ou de alguma forma surge a água, as folhas recobram a vida e se tornam plenas de vida novamente.

Enquanto isto, as nuvens se formam nos vales no horizonte e já sabem que precisam caminhar em direção aos lugares mais altos e por alguma sabedoria segue em direção das montanhas, e lá se encontram com os raios que disparam o ozônio que faz a chuva cair e ela vai rolando pelas encostas dos montes, regando as plantas, pastos e lavouras até encontrar o rio.

Mas mudando de assunto, um outro estudo curioso foi o que fez o Sr. Cleve Backster em 1966, ele que era um técnico da CIA para trabalhar com polígrafos que são máquinas que descobrem as reações físicas e emocionais e se uma pessoa está ou não mentindo. Um dia, por acaso, ele conectou o aparelho à folha de uma planta de um vaso em seu escritório e para sua surpresa percebeu que no poligrafo aparecia uma linha reta, coisa que ele conhecia muito bem em seus interrogatórios.

O polígrafo não registrava nada mais que isto, como se a planta estivesse morta, calma, impassível ou adormecida, então ele começou a se perguntar como causar alguma reação na planta. Afinal, será que ela teria sentimentos?

Então ele pensou que talvez com as plantas acontecesse o mesmo que ocorre com as pessoas que reagem frente ao polígrafo quando se sentem ameaçadas e então ele decidiu queimar uma folha da planta, e exatamente neste momento, o polígrafo se mexeu e como num eletrocardiograma, a planta emitiu ondas enormes.

Backster olhou no relógio e viu que eram três horas da manhã e ficou impressionado porque não tinha sequer tocado na planta e apenas pensou em queimá-la. Será então que a planta tinha capacidade de ler pensamentos e por isto se sentira ameaçada?

A partir dali Backster realizou muitas outras experiências com seu poligrafo e chegou a resultados difíceis de acreditarmos, como, por exemplo, de que uma planta poderia servir como testemunha para identificar o assassino do seu dono, ou que teria memórias para saber quem lhe causou eventuais danos no passado. Em uma situação de crime, vários suspeitos estavam aguardando o interrogatório fora da sala e longe da planta, quando o criminoso entra na sala a planta reage ao polígrafo.

A sabedoria dos vegetais foi profundamente conhecida pelos xamãs de todo o planeta e eles e as árvores inclusive conversavam entre si e as árvores e os vegetais lhes indicavam quais plantas poderiam curar determinadas enfermidades.

Ainda no século IV antes de Cristo o filósofo Aristóteles afirma que as plantas têm alma, embora não acreditasse que elas tivessem sensibilidade. Um pouco mais tarde, Hipócrates, o pai da medicina, aconselhava seus discípulos a falarem com as plantas, porque, como os xamãs, também acreditava que elas conheciam os segredos da cura. Muitos séculos depois, já no século XVIII, o suéco Carlos Lineo, o precursor da botânica moderna, afirmou que os vegetais eram como os animais e que eles apenas não tinham mobilidade.

Porém, no começo do século XX o vienense Raoul Heinrich Francé, foi ainda mais longe ao afirmar que as plantas se movimentam como os animais, embora seja com uma velocidade muito menor. Segundo um outro estudo feito pela Real Sociedade de Horticultura de Londres, tocar e falar com as plantas faz com que elas cresçam mais rapidamente, especialmente quanto são as mulheres que as tocam e conversam com elas.

Mais recentemente foi comprovado que os pacientes internados que veem árvores através das suas janelas, se curavam mais rapidamente e apresentavam menos complicações do que aquelas que não as veem. Também está esclarecido e comprovado que as crianças com déficit de atenção e hiperatividade, acalmam-se e melhoram quando têm acesso à natureza.

Mais ainda, foi possível comprovar que os lugares onde não existem plantas ou árvores, existem mais violências dentro e fora dos lares, que os lugares mais ajardinados e com árvores ajudam a reduzir temores e trazem uma sensação de maior segurança.

É claro que as árvores precisam dos nossos cuidados, porém nós, os humanos, somos muito mais cuidados por elas do que podemos imaginar. Precisamos delas para viver nos reconectarmos com a vida e com o mundo, sobretudo agora que nos encontramos num momento tão decisivo para a humanidade.

Quando me mudei para a cidade no tempo do êxodo rural no Brasil, morei em favelas, vivi de reciclagens e de construções civil. Por algum tempo precisei dos frutos de um abacateiro que existia ao lado de uma ponte em construção onde eu trabalhava. Aquela árvore foi por mim adotada há décadas e se tornou símbolo dos momentos mais difíceis da minha vida, quando tinha que tomar seus frutos e os colocava entre os sacos de cimento para amadurecerem, mas todos precisamos igualmente delas até para respirarmos.

Para concluir, tenho claro para mim que as árvores são testemunhas de uma história que tem sempre duas faces, onde uma é revelada e outra é ocultada. Como disse Backster em 1966, “oxalá pudéssemos ver através delas o que o tempo levou”, mas sendo impossível, recorro aos versos de um poeta oportunamente apresentado pela Dra. Martha Eglesia, no encerramento de um curso sobre o sentido da vida e sobre Viktor Frankl em 1986 e dos quais jamais me esqueci porque ficaram dentro do meu coração.

 

“Se para retomar o meu destino,
eu tive que perder o já perdido,
se para conseguir o conseguido,
me foi preciso suportar o suportado.

Se para estar agora enamorado,
eu precisei antes estar ferido,
então aceito ter sofrido o já sofrido,
e compreendo ter chorado o que foi chorado.

Porque depois de tudo foi provado,
que não se ama aquilo que foi amado,
senão depois de tê-lo padecido.

Porque afinal, depois de tudo esclarecido,
eu sei da árvore que a beleza do florido,
sobrevive do que vive sepultado!"

Francisco L. Bernárdez (1900-1978)

 

José Carlos Vitor Gomes
10/02/2018

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